sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Um dia a casa cai

Realmente, é preciso ter muito cuidado com nossas palavras e pensamentos. Quando eu me tornei uma mulher, com seios em riste, sempre pensava: "Se um dia eles caírem, pode ter certeza que farei uma cirurgia plástica." E não é que esse dia chegou? Na verdade, chegou faz tempo. Acho que logo após eu terminar de amamentar minha primeira filha, a ação da gravidade começou a atuar. Ou, talvez, até antes...

Quando eu era adolescente, li o livro Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, que foi um super best-seller nos anos 80. Numa das falas, ele dizia algo do gênero: "Fico louco quando vejo uma mulher andando sem sutiã." Bem, e como eu sempre gostei de deixar os homens loucos (rsrsrs), por várias vezes usei blusas de malha no estilo baby look com meu lindo par de seios promovendo uma visão do paraíso a todos - de peões de obra a homens engravatados. Mal sabia eu da lei da causa e efeito, rsrs. Ou, se sabia, não queria acreditar. Por isso, nem tem mais "talvez até antes": de fato, muito antes da minha primeira gravidez meus seios começaram o caminho para o chão.

Minha vaidade com os seios era gritante. Lembro de meu primeiro namorado. Foi ele quem me ensinou a fazer o teste do lápis. Com muito orgulho, o lápis caía sonoramente no chão! Coisa natural para peitinhos de 18 anos... Mas eu me achava o máximo e acreditava que seria assim ad eternum. Namorei esse cara por sete anos. E, no final de nosso relacionamento, lembro de estar tomando banho no box do quarto dos pais dele. E ele sentado no vaso sanitário, me olhando. Me observando, na verdade. Então ouvi a sentença: "Seu peito tá diferente... Já não é mais o mesmo..." Gente, eu tinha uns 23 anos e aquilo cortou fundo a minha autoestima. É claro que meus seios ainda eram muito bonitos, mas não se comparavam aos de uma adolescente. Bem-vinda ao corpo de mulher adulta! Sim, um dia todo mundo chega lá.

Quando meu casei,aos 24 anos, ganhei um novo admirador. Para meu marido, meus seios eram perfeitos. Mas a decadência dos bichinhos não parava. Só que eram, ainda, como a Torre de Pisa, que lentamente vai fazendo seu movimento rumo ao solo.

E então chegou o momento mais sublime: a gravidez. Nossa, que seios eram aqueles? Lindos, fartos,  rígidos! Tirando o fato de minha aréolas terem ficado marrons - o que não gostei nem um pouco -, lá estava um belo exemplar de par de seios! A amamentação foi algo que não sei explicar. Um dos maiores prazeres de minha vida ver o leite jorrar e alimentar. Ok, ok.... exagerei. O leite nunca jorrou de meus seios. Saía o suficiente para satisfazer minha menina, que mamou, com gosto, até 1 ano e 3 meses.

Quando minha filha trocou o leite materno pelo leite com Nescau na mamadeira, aconteceu um fenômeno extraordinário. Sabe balão cheio, quando a gente não dá o nó e ele sai voando pelos ares e esvaziando? Pois bem, foi mais ou menos assim. Meu peito murchou de uma tal forma que dava até desgosto. Onde foram parar os seios de antes da gravidez? Se pelo menos se assemelhassem com eles... Mas, não, lá estava um par de corpo estranho pendendo a partir do meu tórax.

Para minha alegria, 2 anos e 10 meses depois do nascimento de minha filha, recuperei a voluptuosidade com uma nova gestação. Mas, dessa vez, após os noves meses em que amamentei minha caçulinha, o efeito bola murcha foi ainda mais letal. Em boa parte, a culpa disso era minha. Entre o nascimento de uma filha e outra, eu já tinha iniciado um processo de efeito ioiô. E, ao longo dos anos após a minha segunda maternidade, eu não fiz outra coisa a não ser engordar, emagrecer, engordar, emagrecer... Se eu fosse atleta, juro que ganharia medalha de ouro no tênis de mesa! Só que eu não era.. E o prêmio que ganhei veio na forma de peitos cada vez mais sob o efeito da gravidade.

Foi quando começou a martelar em minha cabeça meu antigo pensamento:"Se um dia eles caírem, pode ter certeza que farei uma cirurgia plástica." Mas a vida não é exatamente como a gente quer. Cirurgia plástica custa dinheiro. Muito dinheiro, diga-se de passagem. E não adianta dizer que hoje está mais fácil, porque dá para parcelar. Ora, como encaixar no orçamento doméstico parcelas de 500, 1.000 reais, por vários e vários meses, sem que haja uma crise econômica familiar?

Foi preciso esperar, esperar, esperar... Mas essa espera cansa. Então foi preciso ousar, ousar, ousar... Como dizia Geraldo Vandré, quem sabe faz a hora não espera acontecer. E mesmo eu ainda não estando na situação financeira dos sonhos, decidi dar o meu jeito. Pelo menos agora faz dois anos que tenho a estabilidade da carteira assinada. Antes disso, vivi nove anos como free-lancer - o que é bom para se cuidar de filhas pequenas, mas o que não é nada bom quando se precisa fazer um financiamento de um bem. E, nesse caso, o bem a finaciar era muito precioso: meu próprio corpo.

Daqui a exatos 27 dias, é chegada a hora. E o pior: não irei fazer cirurgia apenas nos seios, mas também na barriga - mas isso já é assunto para outro post! Comecei a sentir, então, uma leve apreensão. Uma mistura de medo e ansiedade. Parece que o tempo está suspenso e faço tudo no automático, só esperando o grande dia. Foi por isso que decidi criar esse blog. A princípio, só para mim. Será que algum dia terei coragem de compartilhá-lo? Quero escrever aqui minhas angústias, minhas vitórias, minhas experiências. E se isso me der mais coragem para seguir rumo ao meu sonho de voltar a ter um corpo bonito, já terá valido a pena.